terça-feira, 20 de novembro de 2012

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Exposições fotográficas de Dário Gabriel e Jarbas Oliveira propõem viagens visuais sobre a vida cotidiana e cultura popular em Fortaleza e no Pará


"Goiabeiras - Outros Mares" e "Da Cor do Norte - Brinquedos de Miriti" entram em cartaz dia 10 de novembro no Sobrado José Lourenço


Duas viagens visuais através das lentes de Dário Gabriel e Jarbas Oliveira revelam a poesia que reside nos modos de vida, arte e cultura do povo, assumindo distintos recortes geográficos: o bairro das Goiabeiras, na capital cearense, e a cidade de Abaetetuba, no Pará. A composição dos acervos iconográficos visa o registro de costumes populares ao mesmo tempo em que propõe reflexões sobre a importância de preservação dos mesmos diante do crescimento urbano desenfreado e das amplas transformações sociais, que caracterizam os tempos atuais.

Sob tais enfoques, as exposições conjuntas de "Goiabeiras - Outros Mares" por Dario Gabriel e "Da Cor do Norte - Brinquedos de Miriti" por Jarbas Oliveira serão abertas com cerca de 20 imagens de cada projeto, no Sobrado José Lourenço, a partir do dia 10 de novembro em coquetel para convidados, seguindo em cartaz com entrada franca ao público até 28 de fevereiro de 2013.

"Goiabeiras - Outros Mares" por Dário Gabriel
Apenas a seis quilômetros do centro de Fortaleza, incrustado na costa oeste, se situa a praia das Goiabeiras, faixa litorânea pertence à comunidade do Pirambu, um dos maiores bairros da cidade com mais de 45 mil habitantes. Enviado a uma pauta no local em 2010, Dário Gabriel descobriu esse "pedaço da cidade de visão paradisíaca, que remete aos anos 60 e 70, guardando resquícios do modo de viver de pequenas comunidades do litoral, em meio ao violento caos urbano e a intensa pressão demográfica". O encantamento levou à produção das fotos para a exposição e o livro "Goiabeiras - Outros Mares", a ser lançado em 2013, na sequencia da exposição fotográfica.

"Justamente por onde os colonizadores chegaram primeiro, a especulação imobiliária não acontece", ressalta o fotógrafo. Há ainda quem viva da pesca artesanal, gerando renda sem sair da comunidade, sustentando e agregando diferentes gerações em torno de um ofício, que é também herança, tradição. É assim que, na praia das Goiabeiras, resiste um modo de vida que fica entre a luta pela sobrevivência diária e a possibilidade de contemplação da natureza da janela de casa no entorno da mata de coqueirais, casas de pescadores, porto de jangadas, faixa de mar, com habitações modestas semelhantes às de comunidades litorâneas do interior do Ceará. Mesmo com o novo projeto de urbanização do Município, que visa à preservação da comunidade local. Desse chão híbrido entre a vida cotidiana e a pós-modernidade de consumo da quinta capital brasileira vem a inspiração de Dário Gabriel.


"Da Cor do Norte - Brinquedos de Miriti" por Jarbas Oliveira

Já a mostra fotográfica de Jarbas Oliveira advém do projeto homônimo "Da Cor do Norte - Brinquedos de Miriti", composto a partir da Caixinha-Livro na edição com 200 páginas de textos e fotos para contar a história do artesanato relacionado às festas do Círio de Nazaré em Belém e do Círio da Conceição em Abaetetuba (Pará), junto às miniaturas dos brinquedos feitos pelos artesãos do município. O livro escrito pelo poeta e escritor João de Jesus Paes Loureiro, de Abaetetuba, desvenda todo o processo desde a coleta do miriti à fabricação dos brinquedos com foco na cena lúdica a que se referem e à estreita ligação com os folguedos. A publicação lançada em maio no Pará e em julho no Ceará, contou com "a grande qualidade artística e documental das fotografias de Jarbas Oliveira", nas palavras do autor, agora a serem exibidas na exposição.


“Costumo dizer que o Círio de Nazaré tem três signos fundamentais: A Santa na Berlinda - símbolo da Fé; a Corda - símbolo da devoção e o brinquedo de Miriti de Abaetetuba - símbolo da cultura artística”, ressalta Loureiro, também professor e doutor pela Universidade de Sorbonne (França) com a tese “Cultura Amazônica - Uma poética do imaginário”, na qual dedica capítulo sobre o brinquedo de miriti. Para a historiadora, mestre em Educação e pesquisadora Sílvia Furtado, através da publicação e da exposição, é possível "vislumbrar a Amazônia com suas encantarias; a festa do Círio; Abaetetuba e a Cobra-Grande; conhecer os artesãos, suas histórias, habilidades, modo de fazer brinquedos; encontrar as crianças, reconhecer os adultos que viram crianças e, claro, descobrir os brinquedos, com as brincadeiras que nos suscitam e os sonhos que, a partir deles, nos invadem".


Os projetos desenvolvidos pela Lumiar Comunicação e Consultoria contam com a consultoria de artes da curadora Dodora Guimarães na montagem das exposições. "Goiabeiras - Outros Mares" foi contemplado com o VII Edital Prêmio de Incentivo às Artes da Secult Ceará (2010), na categoria Prêmio Chico Albuquerque de Fotografia e o III Edital de Concurso Público Prêmio de Fotografia da Secretaria de Cultura de Fortaleza. Por sua vez, "Da Cor do Norte - Brinquedos de Miriti" foi produzido com apoio do MinC através da Lei Rouanet com patrocínios da Paragás e Schincariol.

  • Sobre Dário Gabriel - Fotojornalista autodidata, nasceu em Petrolina (PE) a 12 de agosto de 1966, trabalhou em coberturas fotográficas na área de política (campanhas de Tasso Jereissati - 95; Socorro França - 96; Tasso Jereissati - 99 e Lucio Alcântara - 2002) e em jornais de grande circulação no Ceará (Tribuna do Ceará 93/95 e O Povo 95/2000). Em 1991 ganhou o título de Menção Honrosa no Concurso Mundial de Fotografia da Nikon, e em 2007, o Prêmio CDL. Fotografou para o disco do cantor Geraldo Azevedo (2008) e participou dos livros “Ceará Terra da Luz”(2002); “Beberibe – Serra, Sertão e Mar” (2006). Atualmente trabalha na Assembleia Legislativa.

  • Sobre Jarbas Oliveira - Fotógrafo e jornalista cearense, formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC) com Especialização em Teoria da Comunicação e da Imagem. Iniciou a carreira por curiosidade e inquietação. Fotojornalista por vocação com imagens impressas nos mais importantes veículos de comunicação do País, em 2009 publicou “O Livro das Horas da Praça do Ferreira” sobre a praça mais importante de Fortaleza e participou ainda dos livros “Memória do Caminho”, “Ceará Terra da Luz” e “Beberibe, Mar, Sertão e Gente”. Em 2012 publica “Da cor do Norte – Brinquedos de Miriti”, livro que mostra o universo em volta da produção de Brinquedos de Miriti, em Abaetetuba, Pará. Nos últimos anos vem se dedicando a trabalhos autorais com projeções de três livros e exposições, que brevemente virão, como o livro/exposição “A cara de Fortaleza”, que conta histórias imagéticas de personagens famosos e anônimos da capital cearense.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Semana da Criança no Sobrado



Na Semana da Criança, o Sobrado Dr. José Lourenço preparou uma programação especial para o público infantil:


09/10 - Oficina de Colagens- Oficina de Origami- Cineclube do Sobrado:

Parque de diversão

Ficção, Direção: Armando Praça
Sinopse: Num dia de domingo, o pai leva os filhos em um passeio, percorrendo longo caminho em busca da diversão possível.

Rua das Tulipas

Animação, Direção: Alê CamargoSinopse: Um grande inventor acostumado a criar soluções para todos os moradores de sua rua, a Rua das Tulipas, após ver a felicidade de todos seus vizinhos, descobre que ainda faltava a felicidade de uma pessoa.

10/10- Oficina de Pintura
- Oficina de Origami- Cineclube do Sobrado:

Leonel Pé-de-Vento

Animação, Direção: Jair Giacomini

Sinopse: Leonel nasceu Pé-de-Vento, e por causa desse condição, vive isolado de sua comunidade. Até o dia em que é descoberto pelas crianças da escola. Enquanto algumas o hostilizam e perseguem, outras ficam curiosas e se aproximam dele. Mariana investiga a história do guri Pé-de-Vento e, assim, eles descobrem a importância da amizade e da convivência com as diferenças.

11/10- Oficina de Postais Artísticos- Oficina de Origami- Cineclube do Sobrado:

O Pato

Animação, Direção: Andres Lieben
Sinopse: Enquanto ouvimos a divertida canção de Toquinho, um pato muito atrapalhado apronta todas em uma fazenda. Será que acaba pagando o pato?

Aquarela

Animação, Direção: Andres Lieben
Sinopse: Com trilha homônima de Toquinho, Vinicius, Morra e Fabrizio, o filme faz uma metáfora entre a vida, do nascimento à morte, e uma pintura de aquarela que, com o tempo, descolore.


13/10- Oficina de Xilogravura- Oficina de Origami- Pintura de Rosto- Cineclube do Sobrado:

Lúmen

Animação, Direção: Wilian Salvador

Sinopse: Um inventor em crise tem uma idéia que parece ser a solução perfeita para seus problemas.

Uma jangada chamada Bruna

Ficção, Direção: Petrus Cariry

A experiência do primeiro amor: Pedro tem 10 anos e se apaixona por Bruna, de 11 anos. Ambos são filhos de pescadores, vizinhos na mesma aldeia de praia do Ceará.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

A arte postal de Hélio Rola


Arte Postal - Correspondência com valor artístico


Na década de 1960, correspondências trocadas entre artistas plásticos deram origem a mais uma forma de expressão da arte contemporânea: a arte postal (mail art). Nessa mesma época, Ray Johnson cria, em Nova York, nos Estados Unidos, a Correspondance Art School (Escola de Arte por Correspondência). 

Em 1963, Ray Johnson escreve uma carta num envelope, usando a frente e o verso. Ele rompe, assim, com o conceito de privado e reproduz, de maneira pública, dialogando com outra pessoa, a sua aparente intimidade.

Reprodução
Selo comemorativo do ano de falecimento de Ray Johnson

mail art consistia em trocar mensagens criativas utilizando o sistema de correios. Ela surgiu como uma alternativa aos meios convencionais das exposições de arte (Bienais, Salões, etc.) e tem características próprias do período em que apareceu (dialoga, portanto, com a Guerra Fria, no contexto mundial, ou com a ditadura militar, no contexto brasileiro). Ou seja, seu objetivo era veicular informação, protesto e denúncia.

A arte postal se caracteriza por ser um meio de expressão livre, no qual envelopes, telegramas, selos ou carimbos postais são alguns dos suportes em que é possível a expressão da sensibilidade. Os artistas utilizam, principalmente, técnicas como colagens, fotografia, escrita ou pintura. A única limitação real à utilização de diferentes técnicas e suportes é a possibilidade de envio dos trabalhos pelo correio.

Nos anos 60, a arte postal foi uma forma de expressão entre artistas que se conheciam. Porém, na década de 70, todos os interessados em fazer arte já podiam participar - e, a partir de 1980, museus e universidades começaram a valorizar a arte postal.

No Brasil, a Arte Postal chegou num momento de censura, quando muitos artistas, para poderem se expressar, acabam aderindo à Arte Conceitual - e, portanto, a uma de suas formas, a Arte Postal.

Um artista brasileiro que podemos citar é o pernambucano Paulo Bruscky, que organizou, em 1975, no Recife, juntamente com Daniel Santiago e Ypiranga Filho, a 1ª Exposição Internacional de Arte Postal, fechada pela censura do regime militar.

O trabalho abaixo, por exemplo, é uma crítica mordaz à ditadura militar, quando não ocorriam eleições livres:

Reprodução
Paulo Bruscky. Título de eleitor cancelado, 1980.


Arte postal em tempos de e-mail

E hoje em dia? Quase não escrevemos ou recebemos mais cartas, não é mesmo? Então, como esse tipo de expressão artística sobreviveria no mundo da não correspondência de papel?

No final dos anos 80 o movimento de arte postal perdeu força, especialmente junto aos artistas que trabalhavam esse veículo como forma de protesto. 

No entanto, nos anos 90, a arte postal iniciou seu diálogo com as novas mídias. E foi na internet que os artistas encontraram um meio privilegiado para novas experimentações, inaugurando novas poéticas, novos canais de participação, de mobilização e de divulgação da arte postal.

*Valéria Peixoto de Alencar é historiadora formada pela USP e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp. É uma das autoras do livroArte-educação: experiências, questões e possibilidades (Editora Expressão e Arte).