sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
terça-feira, 27 de novembro de 2012
terça-feira, 20 de novembro de 2012
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Exposições fotográficas de Dário Gabriel e Jarbas Oliveira propõem viagens visuais sobre a vida cotidiana e cultura popular em Fortaleza e no Pará
"Goiabeiras - Outros Mares" e "Da Cor do Norte -
Brinquedos de Miriti" entram em cartaz dia 10 de novembro no
Sobrado José Lourenço
Duas
viagens visuais através das lentes de Dário Gabriel e Jarbas
Oliveira revelam a poesia que reside nos modos de vida, arte e
cultura do povo, assumindo distintos recortes geográficos: o bairro
das Goiabeiras, na capital cearense, e a cidade de Abaetetuba, no
Pará. A composição dos acervos iconográficos visa o registro de
costumes populares ao mesmo tempo em que propõe reflexões sobre a
importância de preservação dos mesmos diante do crescimento urbano
desenfreado e das amplas transformações sociais, que caracterizam
os tempos atuais.
Sob tais
enfoques, as exposições conjuntas de "Goiabeiras - Outros
Mares" por Dario Gabriel e "Da Cor do Norte - Brinquedos de
Miriti" por Jarbas Oliveira serão abertas com cerca de 20
imagens de cada projeto, no Sobrado José Lourenço, a partir do dia
10 de novembro em coquetel para convidados, seguindo em cartaz com
entrada franca ao público até 28 de fevereiro
de 2013.
"Goiabeiras
- Outros Mares" por Dário Gabriel
Apenas a
seis quilômetros do centro de Fortaleza, incrustado na costa oeste,
se situa a praia das Goiabeiras, faixa litorânea pertence à
comunidade do Pirambu, um dos maiores bairros da cidade com mais de
45 mil habitantes. Enviado a uma pauta no local em 2010, Dário
Gabriel descobriu esse "pedaço da cidade de visão paradisíaca,
que remete aos anos 60 e 70, guardando resquícios do modo de viver
de pequenas comunidades do litoral, em meio ao violento caos urbano e
a intensa pressão demográfica". O encantamento levou à
produção das fotos para a exposição e o livro "Goiabeiras -
Outros Mares", a ser lançado em 2013, na sequencia da exposição
fotográfica.
"Justamente
por onde os colonizadores chegaram primeiro, a especulação
imobiliária não acontece", ressalta o fotógrafo. Há ainda
quem viva da pesca artesanal, gerando renda sem sair da comunidade,
sustentando e agregando diferentes gerações em torno de um ofício,
que é também herança, tradição. É assim que, na praia das
Goiabeiras, resiste um modo de vida que fica entre a luta pela
sobrevivência diária e a possibilidade de contemplação da
natureza da janela de casa no entorno da mata de coqueirais, casas de
pescadores, porto de jangadas, faixa de mar, com habitações
modestas semelhantes às de comunidades litorâneas do interior do
Ceará. Mesmo com o novo projeto de urbanização do Município, que
visa à preservação da comunidade local. Desse chão híbrido entre
a vida cotidiana e a pós-modernidade de consumo da quinta capital
brasileira vem a inspiração de Dário Gabriel.
"Da
Cor do Norte - Brinquedos de Miriti" por Jarbas Oliveira
Já a mostra
fotográfica de Jarbas Oliveira advém do projeto homônimo "Da
Cor do Norte - Brinquedos de Miriti", composto a partir da
Caixinha-Livro na edição com 200 páginas de textos e fotos para
contar a história do artesanato relacionado às festas do Círio de
Nazaré em Belém e do Círio da Conceição em
Abaetetuba (Pará), junto às miniaturas dos brinquedos feitos
pelos artesãos do município. O livro escrito pelo poeta e escritor
João de Jesus Paes Loureiro, de Abaetetuba, desvenda todo o processo
desde a coleta do miriti à fabricação dos brinquedos com foco na
cena lúdica a que se referem e à estreita ligação com
os folguedos. A publicação lançada em maio no Pará e em
julho no Ceará, contou com "a grande qualidade artística e
documental das fotografias de Jarbas Oliveira", nas palavras do
autor, agora a serem exibidas na exposição.
“Costumo dizer que o
Círio de Nazaré tem três signos fundamentais: A Santa na Berlinda
- símbolo da Fé; a Corda - símbolo da devoção e o brinquedo
de Miriti de Abaetetuba - símbolo da cultura artística”,
ressalta Loureiro, também professor e doutor pela Universidade de
Sorbonne (França) com a tese “Cultura Amazônica - Uma poética do
imaginário”, na qual dedica capítulo sobre o brinquedo de miriti.
Para a historiadora, mestre em Educação e pesquisadora Sílvia
Furtado, através da publicação e da exposição, é possível
"vislumbrar a Amazônia com suas encantarias; a festa do Círio;
Abaetetuba e a Cobra-Grande; conhecer os artesãos, suas histórias,
habilidades, modo de fazer brinquedos; encontrar as crianças,
reconhecer os adultos que viram crianças e, claro, descobrir os
brinquedos, com as brincadeiras que nos suscitam e os sonhos que, a
partir deles, nos invadem".
Os projetos
desenvolvidos pela Lumiar Comunicação e Consultoria contam com a
consultoria de artes da curadora Dodora Guimarães na montagem das
exposições. "Goiabeiras - Outros Mares" foi contemplado
com o VII Edital Prêmio de Incentivo às Artes da Secult Ceará
(2010), na categoria Prêmio Chico Albuquerque de Fotografia e o III
Edital de Concurso Público Prêmio de
Fotografia da Secretaria de Cultura de Fortaleza. Por sua vez,
"Da Cor do Norte - Brinquedos de Miriti" foi produzido com
apoio do MinC através da Lei Rouanet com patrocínios da Paragás e
Schincariol.
- Sobre Dário Gabriel - Fotojornalista autodidata, nasceu em Petrolina (PE) a 12 de agosto de 1966, trabalhou em coberturas fotográficas na área de política (campanhas de Tasso Jereissati - 95; Socorro França - 96; Tasso Jereissati - 99 e Lucio Alcântara - 2002) e em jornais de grande circulação no Ceará (Tribuna do Ceará 93/95 e O Povo 95/2000). Em 1991 ganhou o título de Menção Honrosa no Concurso Mundial de Fotografia da Nikon, e em 2007, o Prêmio CDL. Fotografou para o disco do cantor Geraldo Azevedo (2008) e participou dos livros “Ceará Terra da Luz”(2002); “Beberibe – Serra, Sertão e Mar” (2006). Atualmente trabalha na Assembleia Legislativa.
- Sobre Jarbas Oliveira - Fotógrafo e jornalista cearense, formado em Comunicação Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC) com Especialização em Teoria da Comunicação e da Imagem. Iniciou a carreira por curiosidade e inquietação. Fotojornalista por vocação com imagens impressas nos mais importantes veículos de comunicação do País, em 2009 publicou “O Livro das Horas da Praça do Ferreira” sobre a praça mais importante de Fortaleza e participou ainda dos livros “Memória do Caminho”, “Ceará Terra da Luz” e “Beberibe, Mar, Sertão e Gente”. Em 2012 publica “Da cor do Norte – Brinquedos de Miriti”, livro que mostra o universo em volta da produção de Brinquedos de Miriti, em Abaetetuba, Pará. Nos últimos anos vem se dedicando a trabalhos autorais com projeções de três livros e exposições, que brevemente virão, como o livro/exposição “A cara de Fortaleza”, que conta histórias imagéticas de personagens famosos e anônimos da capital cearense.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Semana da Criança no Sobrado
Na Semana da Criança, o
Sobrado Dr. José Lourenço preparou uma programação especial para
o público infantil:
09/10 - Oficina de Colagens- Oficina de Origami- Cineclube do Sobrado:
Parque de diversão
Ficção, Direção:
Armando Praça
Sinopse: Num dia de
domingo, o pai leva os filhos em um passeio, percorrendo longo
caminho em busca da diversão possível.
Rua das Tulipas
Animação,
Direção: Alê CamargoSinopse: Um grande
inventor acostumado a criar soluções para todos os moradores de sua
rua, a Rua das Tulipas, após ver a felicidade de todos seus
vizinhos, descobre que ainda faltava a felicidade de uma pessoa.
10/10- Oficina de Pintura
- Oficina de Origami- Cineclube do Sobrado:
Leonel Pé-de-Vento
Animação, Direção: Jair Giacomini
Sinopse: Leonel nasceu
Pé-de-Vento, e por causa desse condição, vive isolado de sua
comunidade. Até o dia em que é descoberto pelas crianças da
escola. Enquanto algumas o hostilizam e perseguem, outras ficam
curiosas e se aproximam dele. Mariana investiga a história do guri
Pé-de-Vento e, assim, eles descobrem a importância da amizade e da
convivência com as diferenças.
11/10- Oficina de Postais
Artísticos- Oficina de Origami- Cineclube do Sobrado:
O Pato
Animação,
Direção: Andres
Lieben
Sinopse: Enquanto
ouvimos a divertida canção de Toquinho, um pato muito atrapalhado
apronta todas em uma fazenda. Será que acaba pagando o pato?
Aquarela
Animação,
Direção: Andres
Lieben
Sinopse: Com trilha
homônima de Toquinho, Vinicius, Morra e Fabrizio, o filme faz uma
metáfora entre a vida, do nascimento à morte, e uma pintura de
aquarela que, com o tempo, descolore.
13/10- Oficina de Xilogravura- Oficina de Origami- Pintura de Rosto- Cineclube do Sobrado:
Lúmen
Animação, Direção: Wilian Salvador
Sinopse: Um inventor em crise tem uma idéia que parece ser a solução perfeita para seus problemas.
Uma jangada chamada Bruna
Ficção, Direção: Petrus Cariry
A experiência do primeiro amor: Pedro tem 10 anos e se apaixona por Bruna, de 11 anos. Ambos são filhos de pescadores, vizinhos na mesma aldeia de praia do Ceará.
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Arte Postal - Correspondência com valor artístico
Na década de 1960, correspondências trocadas entre artistas plásticos deram origem a mais uma forma de expressão da arte contemporânea: a arte postal (mail art). Nessa mesma época, Ray Johnson cria, em Nova York, nos Estados Unidos, a Correspondance Art School (Escola de Arte por Correspondência).
Em 1963, Ray Johnson escreve uma carta num envelope, usando a frente e o verso. Ele rompe, assim, com o conceito de privado e reproduz, de maneira pública, dialogando com outra pessoa, a sua aparente intimidade.
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| Selo comemorativo do ano de falecimento de Ray Johnson |
A mail art consistia em trocar mensagens criativas utilizando o sistema de correios. Ela surgiu como uma alternativa aos meios convencionais das exposições de arte (Bienais, Salões, etc.) e tem características próprias do período em que apareceu (dialoga, portanto, com a Guerra Fria, no contexto mundial, ou com a ditadura militar, no contexto brasileiro). Ou seja, seu objetivo era veicular informação, protesto e denúncia.
A arte postal se caracteriza por ser um meio de expressão livre, no qual envelopes, telegramas, selos ou carimbos postais são alguns dos suportes em que é possível a expressão da sensibilidade. Os artistas utilizam, principalmente, técnicas como colagens, fotografia, escrita ou pintura. A única limitação real à utilização de diferentes técnicas e suportes é a possibilidade de envio dos trabalhos pelo correio.
Nos anos 60, a arte postal foi uma forma de expressão entre artistas que se conheciam. Porém, na década de 70, todos os interessados em fazer arte já podiam participar - e, a partir de 1980, museus e universidades começaram a valorizar a arte postal.
No Brasil, a Arte Postal chegou num momento de censura, quando muitos artistas, para poderem se expressar, acabam aderindo à Arte Conceitual - e, portanto, a uma de suas formas, a Arte Postal.
Um artista brasileiro que podemos citar é o pernambucano Paulo Bruscky, que organizou, em 1975, no Recife, juntamente com Daniel Santiago e Ypiranga Filho, a 1ª Exposição Internacional de Arte Postal, fechada pela censura do regime militar.
O trabalho abaixo, por exemplo, é uma crítica mordaz à ditadura militar, quando não ocorriam eleições livres:
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| Paulo Bruscky. Título de eleitor cancelado, 1980. |
Arte postal em tempos de e-mail
E hoje em dia? Quase não escrevemos ou recebemos mais cartas, não é mesmo? Então, como esse tipo de expressão artística sobreviveria no mundo da não correspondência de papel?No final dos anos 80 o movimento de arte postal perdeu força, especialmente junto aos artistas que trabalhavam esse veículo como forma de protesto.
No entanto, nos anos 90, a arte postal iniciou seu diálogo com as novas mídias. E foi na internet que os artistas encontraram um meio privilegiado para novas experimentações, inaugurando novas poéticas, novos canais de participação, de mobilização e de divulgação da arte postal.
*Valéria Peixoto de Alencar é historiadora formada pela USP e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp. É uma das autoras do livroArte-educação: experiências, questões e possibilidades (Editora Expressão e Arte).
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